Spontini

Gaspare Spontini nasceu em Majolati, Ancona (Itália), em 14 de novembro de 1774. Foi aluno de Sala e de Tritto no Conservatório della Pieta dei Turchini, em Nápoles, donde fugiu por razões que se desconhecem. Já tinha composto várias óperas bufas, quando, em 1798 - estando a corte refugiada em Palermo, perante a ameaça dos franceses, e porque Cimarosa, mestre de capela titular, se recusara a deixar Nápoles -, Spontini substituiu temporariamente este último. Mas só passou um ano em Palermo e, em 1803, fixou-se em Paris.
Depois de ter apresentado, sem êxito, algumas óperas cômicas, obteve o triunfo na ópera com La vestale, apesar da cabala que rodeou os ensaios, e foi nomeado compositor particular da imperatriz Josefina. Dois anos mais tarde, Fernando Cortez (que é, talvez, a sua obra-prima) teve um acolhimento ainda mais caloroso. Foi o grande estilo dramático destas duas obras que fez que Spontini passasse à posteridade.
Nomeado, em 1810, diretor de orquestra do teatro da imperatriz (fusão do Teatro Italiano e da Comédia Francesa), teve o grande mérito de apresentar aí, em 1811, a primeira representação parisiense de Don Giovanni e na sua versão original (com Malibran, Grisi e Sontag nos papéis femininos, M.Garcia como Don Giovanni e Lablache como Leporello). Em 1820, fixou-se em Berlim como mestre de capela e superintendente geral da música do rei Frederico Guilherme III.
Começava a tornar-se todo-poderoso, quando o êxito de O franco atirador (de Weber),  fez empalidecer a sua estrela, retirando-lhe o apoio de uma grande parte do escol intelectual. O seu caráter intransigente, as suas indelizadezas, que fez multiplicar o número de inimigos, e uma acusação de lesa-majestade forçaram-no a abandonar Berlim, em 1842, esgotado física e moralmente. Fixou-se, durante algum tempo, em Paris, onde foi eleito membro do Instituto em 1838, e em 1848, retirou-se para Jesi e depois para a sua aldeia natal, onde morreu em 24 de janeiro de 1851.
Escreveu uma grande ópera e 13 óperas bufas italianas, 4 grandes óperas e 3 óperas cômicas francesas, 5 óperas alemãs, alguns interlúdios coreográficos.