Strauss. R.

Richard Strauss nasceu em Munique (Alemanha) a 11 de junho de 1864. Sua educação musical foi clássica e, como dirigente (1885) em Meiningen, ainda era adepto de Brahms. De repente converteu-se, tornando-se discípulo e herdeiro de Wagner. Foi (1886-1889 e 1894-1899) dirigente em Munique, depois (1899-1910) diretor geral de música em Berlim.
Seus sucessos são, agora, internacionais. Em 1919 é nomeado diretor da Ópera de Viena (até 1924). Os últimos anos de sua vida foram escurecidos pelo nazismo e pela II Guerra Mundial. R.Strauss morreu em Garmisch a 8 de setembro de 1949.
Na sala de concertos e na ópera, R.Strauss fez música de programa, levando até às últimas conseqüências a imitação de ruídos à maneira de Berlioz. Suas artes de orquestração são magistrais e até hoje insuperadas; sua música é extremamente sensual, 'embriagante'. R.Strauss foi homem de alta cultura literária e filosófica, mas suas tentativas de traduzir tudo isso em linguagem musical têm algo de lúdico.
A partir de 1910 realizou uma transformação, fazendo música mozartiana, adotando o estilo do séc. XVIII sem renunciar às complicadas técnicas wagnerianas.
R.Strauss escreveu na mocidade várias obras camerísticas, em estilo clássico, que hoje são executadas, ocasionalmente, por serem de R.Strauss. Mas são muito importantes seus lieder, pós-românticos, cuja tensão dramática revela o operista: Finados, Sonhos no crepúsculo, Dedicatória e muitos outros, que pertencem ao repertório.
Strauss é o maior mestre do gênero poema sinfônico, depois de Berlioz e Liszt. Só pitoresco é Da Itália (1887). Don Juan (1889) e Macbeth (1890) são de uma audácia harmônica que o compositor evitou mais tarde. Suas obras-primas nesse gênero são o solene Morte e transfiguração (1890) e As alegres travessuras de Till Eulenspiegel (1895), seus maiores sucessos nas salas de concertos.
Grande também foi o êxito de Assim falou Zaratustra (1896), Uma vida de herói (1899), Sinfonia doméstica (1904) e Uma sinfonia dos Alpes (1915). Mas a glória de R.Strauss como sinfonista está em declínio.
Depois de suas tentativas sem sucesso escreveu R.Strauss a ópera Salomé (1905), pondo em música o texto integral da peça de Wilde (em tradução alemã): é uma obra-prima em decadentismo extremamente requintado. Em estilo semelhante escreveu-lhe o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal o libreto de Elektra (1909), que alguns consideram como a maior obra de R.Strauss. Hofmannsthal influenciou também, a conversão de R.Strauss a Mozart, cujo fruto foi O cavaleiro da rosa (1911), o maior sucesso da arte operística no séc. XX. Essas três óperas pertencem ao repertório permanente.
Mas de Ariadne em Naxos (1912-1917) só sobrevive uma suíte, tirada da música; e sobre as últimas óperas de R.Strauss - A mulher sem sombra (1919), A Helena egípcia (1928), Arabella (1933), Dafne (1937) e outras - as opiniões continuaram divididas.