Victoria

Tomás Luís de Victoria nasceu em Ávila (Espanha), em c.1550. A sua vida é muito pouco conhecida. Sobretudo, nada se sabe acerca de sua infância ou da sa formação musical inicial. Foi, talvez, aluno de Escobedo (é certo que não foi de Morales) e, provavelmente, conheceu Santa Teresam que era das relações de um de seus irmãos, Augustin. Viveu cerca de trinta anos em Roma, onde, entre 1565 e 1569, continuou os seus estudos no Collegium Germanicum; estudos teológicos mais do que musicais o levaram ao sacerdócio (foi ordenado em 1575), entretanto, foi cantor no Collegium onde veio a ser mestre de capela (1573-1578), depois de durante algum tempo ter sido sucessor de Palestrina no Seminário Romano (1571-1572).
Entre 1578 e 1585, foi capelão de San Girolamo della Caritá e esteve em ligação estreita com S.Filipo Neri. Em seguida fez,  decerto, uma ou mais viagens à Espanha, mas só lá regressaria definitivamente em 1596. Então, foi nomeado cantor e mais tarde organista do convento das Descalzas Reales de Madrid, para onde se retirara a sua protetora, a imperatriz Maria (irmã de Filipe II). Foi aí que morreu (27 de agosto de 1611) e foi sepultado. É surpreendente que um tão grande músico, beneficiando de proteções consideráveis (a suntuosidade de algumas edições das suas obras assim o dizem) tenha terminado a sua vida de uma forma tão obscura.
Victoria pertencia  ao grupo dos grandes místicos espanhóis e preocupava-se pouco com a glória terrena. Toda a sua obra é dedicada à glória de Deus. Não só nunca escreveu madrigais ou cançonetas, como nunca utilizou temas profanos, como era uso na época, nas missas polifônicas: as suas são construídas sobre temas retirados dos seus próprios motetos, ou sobre melodias do antigo cantochão moçárabe. Tendo vivido em Roma durante muito tempo, sofreu a influência de Palestrina, e exerceu também uma certa influência neste. Mas distingue-se dele e dos outros músicos da escola romana, devido, sobretudo a um imenso lirismo místico, especificamente espanhol.

Mais sincero e mais austero do que Palestrina, não utiliza nunca inutilmente a sua habilidade no manejo do contraponto vocal. Subordina sempre a escrita a expressão e não teme os cromatismos ou os encontros dissonantes, completamente desusados nos músicos da escola romana. As suas composições são pouco numerosas (180), se o compararmos com alguns dos seus contemporâneos, especialmente com Palestrina, mas são todas de uma qualidade excepcional. Esta obra esplêndida infelizmente pouco conhecida é a de um dos maiores músicos místicos de todos os tempos.
Obras: Officium defunctorum e Officium hebdomadae sanctae (as suas duas obras mais notáveis), 20 missas (4 a 20 vozes), 46 motetos (4 a 8 vozes), 35 hinos, Litaniae de beata vergine, salmos, antífonas à Virgem, cânticos.