Porque é que existem tantas gravações da mesma obra?

A questão da interpretação encontra-se esclarecida na Q12. Numa mão cheia de palavras, podemos dizer que todos os maestros e instrumentistas têm a sua própria visão de determinada obra e nenhuma interpretação é igual a outra, tal como dois poemas sobre um determinado tema variam quando varia a pena que os escreve. Algumas interpretações são levemente diferentes de outras, enquanto algumas levantam sérias questões de interpretação. Por exemplo, deve interpretar-se Beethoven com uma orquestra grande, uma orquestra de câmara ou uma orquestra semelhante à do período original? "Os Quadros de Uma Exposição" para piano, orquestrados por Ravel ou numa guitarra solo? Outra razão para que existam tantas gravações da mesma obra prende-se com o fato de existirem tantas companhias discográficas. A gravação das "Quatro Estações" por um violinista famoso irá certamente vender mais cópias do que uma gravação de um trabalho desconhecido pelo mesmo interprete, ainda que essa obra desconhecida seja musicalmente melhor. As pessoas compram aquilo que conhecem e as companhias discográficas querem assegurar-se que irão ter algum lucro com a sua versão. Infelizmente, o resultado desta prática é que muita boa música nunca chega a ser gravada, enquanto que todos os anos são regravados os títulos que já conhecemos de cor há décadas. Alguém contou uma vez 52 versões das "Quatro Estações" numa loja de discos.