Camerata Ireland

Com o novo status político que fez brilhar uma luz mais forte na Irlanda, alguns dos melhores músicos da ilha se reuniram para criar uma nova e inspirada orquestra: a Camerata Ireland. Foi uma idéia criativa, brilhante e que se mostrou viável, tendo como ponto gravitacional seu diretor artístico, o pianista Barry Douglas.
A Camerata Ireland já estreou como a primeira orquestra irlandesa a “romper” fronteiras, num esforço conjunto com a “Co-operation Ireland”: foram duas apresentações, uma na sede do Parlamento em Belfast e no Castelo de Dublin. Barry Douglas atuou como pianista, regente e diretor musical de uma performance vigorosa e elegante de um programa que incluiu a abertura de As Bodas de Fígaro e o popular Concerto para Piano Nº 21 de Mozart. Contou ainda com a estréia de duas peças autônomas mas tematicamente ligadas, especialmente encomendadas para a ocasião — a primeira delas do compositor norte-irlandês Ian Wilson e a outra de John Buckley, baseado em Dublin. Foi um sucesso consagrador.
Mas foi Barry Douglas, como músico virtuose, que arrebatou o coração do público com sua interpretação mágica da Paráfrase de Concerto do Rigoletto de Verdi de Liszt, seguida por MacAnanty s Reel, com todo o seu poderoso tropel e trompas de caça.
Buscando sempre a excelência, a Camerata Ireland, integrada por cerca de trinta e cinco músicos, selecionou os melhores instrumentistas das três orquestras existentes na ilha: a de Ulster, a RTE e a Orquestra de Câmara Irlandesa.
A força por detrás da orquestra repousa em dois músicos da Orquestra de Ulster, Malcolm Neale e Hugh Carslaw. Seu grande trunfo, porém, foi garantir o envolvimento ativo de Barry Douglas, filho de Belfast, como diretor, somando sua energia às dos outros dois.
“Viajo por todo o mundo e encontro músicos irlandeses que são simplesmente maravilhosos — declara Barry Douglas. A idéia de reuní-los para formar um grupo de câmara incrível, o melhor que há, é excelente. Malcolm e Hugh me procuraram; entre um copo e outro de vinho me disseram que seria interessante fazer algo um pouco mais permanente. Comecei a falar com meus empresários em todo o mundo. Dois dos principais nomes da área em Nova Iorque ficaram muito entusiasmados para organizar a primeira turnê aos Estados Unidos. O entusiasmo deles pela idéia já era mais do que um sinal.”
Músico são caros, principalmente quando se trata de profissionais desse calibre, mas o conceito da orquestra se baseia mais no criativo e artístico do que no financeiro. Não há uma busca de lucro, mas de patrocínio e de outras fontes potenciais de fundos. A Camerata Ireland estará empreendendo turnês a vários pontos, já tendo recebido convites dos Estados Unidos e Canadá, da Itália e da América do Sul, e para participar de festivais na Inglaterra. “É uma grande vergonha que orquestras irlandesas não tenham tido maior reconhecimento. O crescente sucesso e fama — declara Barry Douglas — e o fato de ver-nos a todos trabalhando juntos rumo a essa meta, só podem refletir-se no padrão musical desta ilha.”
Malcolm Neale é ainda mais ambicioso: “Queremos levar a arte para os negócios de uma maneira que nunca foi feita antes.” Ele dirige entusiasticamente o olhar para um tempo em que será possível realizar um fórum de artes lançando uma ponte sobre a tradicional divisão norte/sul, encorajando compositores, artistas, escultores, criadores de todas as esferas, a se associarem numa entidade que abranja tudo.
Malcolm Neale é líder da seção de percussão da Orquestra de Ulster. É como se ele e Hugh Carslaw estivessem pavimentando um caminho rumo aos portais de encontros musicais da Camerata Ireland por todo o mundo.