Bebês poderiam aprender a gostar de música clássica

 

Em busca de canções que estimulem e tranqüilizem seu bebê? Se a resposta é afirmativa, tente ir além das cantigas de ninar.

Cientistas canadenses afirmam que os bebês têm a capacidade de se recordar de músicas clássicas complexas, inclusive duas semanas depois de as terem escutado. A descoberta foi comunicada em uma reunião da Sociedade Acústica da América.

"Temos a impressão de que as crianças são más ouvintes, mas, na realidade, não o são", disse Beatriz Ilari, da Universidade McGill, em Montreal.

Ilari, violinista, docente, e candidata a um doutorado, usou para suas pesquisas as canções "Prelúdio" e "Forlane", de "Le Tombeau de Couperin", de Maurice Ravel.

"Primeiro, porque é incomum," declarou Ilari. "É uma melodia formosa. Além disso, os especialistas em música clássica a consideram complexa".

Os pesquisadores deram aos pais um CD com uma das duas canções. A idéia era fazer com que as crianças – entre sete e oito meses de idade, apenas – as escutassem três vezes por dia, durante dez dias. Os CDs foram recolhidos e, depois de duas semanas sem ouvir as canções, os bebês foram examinados no laboratório McGill.

O teste consistiu em colocar algumas passagens de 20 segundos:  oito que eram familiares para os bebês e outras oito que eles não conheciam.

Enquanto escutavam, as crianças ficaram confortavelmente sentadas sobre as pernas de seus pais, numa cabine com três paredes.

Havia uma luz vermelha em cada lado da cabine, à direita e à esquerda dos bebês. Uma das luzes era intermitente, para atrair a atenção da criança. Quando olhavam a luz, soava uma melodia por alto-falante oculto atrás da iluminação.

A passagem tocava até que a criança voltasse a cabeça. O tempo que cada um dos examinados permaneceu escutando foi computado.

Os pesquisadores descobriram que os bebês escutaram por mais tempo (entre 20 e 30 por cento) as canções que lhes pareciam familiares.

Ilari disse que as crianças realmente aprenderam. Foi feito o mesmo teste com outras crianças, que nunca tinham ouvido as canções, e nenhum mostrou interesse por nenhuma melodia específica.

Uma das bases fundamentais deste estudo é o questionamento constante dos pais a respeito da música que seus filhos devem escutar.

"Os pais sempre querem que seus filhos sejam muito inteligentes", explica Ilari.

A tentativa de fazer de um bebê um prodígio musical (expondo-o a complicadas peças) não é o ponto final dessa história.

Em geral, os pais são os primeiros educadores musicais que uma criança tem. Os laços entre pais e filhos são tão importantes quanto o tipo de música que se escolhe.

"Seja Tchaikovsky ou uma cantiga de roda, se os pais gostam da melodia, a criança se sentirá mais à vontade", garante a pesquisadora.

Além disso, afirmou que tanto ela quanto seus colegas aprenderam com a pesquisa muito mais do que o tempo que uma criança permanece ouvindo música clássica.

"Os pais, muitos dos quais não estão familiarizados com este gênero, aproveitaram a experiência. Eles nos pediram as peças para que seus filhos continuassem a escutá-las. Dizem que os tranqüilizam na hora de dormir e os acalmam quando comem".

Algumas pessoas afirmam que ouvir música desde muito cedo traz enormes benefícios. O filho de Victor e Adele Ronchetti começou a tocar violino aos 4 anos de idade e hoje pertence a um programa para jovens artistas no Colégio Juilliard, em Nova York, por exemplo.

"Ouvir música é genial", diz a mãe. "Acho assombroso poder tocar um instrumento. Nunca ouvi falar de um músico que estivesse construindo uma bomba no sótão de sua casa. Quer dizer, considero que nos mantém no caminho certo, que aumenta a auto-estima. A música é útil para muitas coisas", concluiu.