Ouvir e escutar

Ouvir é um fenômeno fisiológico, escutar é um ato psicológico.

Uma proposição que tem tanto de simples quanto de complexo: fenômeno e ato, ouvir e escutar. Para Roland Barthes, por exemplo, quem tem um aparelho auditivo que funcione, ouve; entretanto, escutar pressupõe vontade, determinação, uma espécie de direcionamento intencional desse aparelho auditivo para a fonte sonora. Esse é o ato que permite que o sistema nervoso decodifique os signos sonoros.

As dúvidas só surgem quando se escuta um som qualquer ou uma música determinada, aquela que gostamos ou nos atraem e aquela que não gostamos e nos causa distancia. Podemos gostar mais de uma sonata ou de uma suíte, preferir uma orquestra sinfônica ou filarmônica; sentir mais atração pela musica sacra ou pela sacralidade que possa existir em qualquer música; sentir mais atração pelos sons da música medieval ou barroca, clássica ou romântica, tonal ou atonal. Podemos ainda preferir um timbre de tenor ou de contralto, ser mais inclinados aos debates teóricos e entrevistas sobre música, até mesmo para nos auxiliar na compreensão da própria música, desses sons que têm linguagem.