Onde a polifonia resistiu à homofonia. Os kantoren

Apenas a Alemanha do norte e do centro, a zona do protestantismo luterano, resistiu à vitória da homofonia da música barroco-católica de Viena e Munique. Naquelas regiões, a vida musical concentrou-se nas kantoreien, escolas de música sacra, instaladas junto às igrejas das cidades. O kantor, músico profissional com vasta erudição teológica, além do culto, também organizava concertos para solenidades profanas.

Os kantoren sofreram a influência italiana, como, por exemplo, de Girolamo Frescobaldi (1583-1643), o maior organista de seu tempo, grande improvisador. Seu primeiro discípulo germânico foi Johann Jakob Froberger (1616-1667). Mas o grande seguidor foi Johann Pachelbel (1653-1706), que escreveu dezenas de fugas, a forma polifônica que caracterizou a renascença (tardia) da polifonia na última fase do Barroco, até então homofônico.

Pensamos erroneamente, portanto, que o Barroco musical foi uma arte polifônica.

A polifonia surgiu apenas na última fase do Barroco.

Georg Friedrich Händel (1685-1759) representou a contribuição inglesa para a polifonia. Virtuose do órgão e do cravo, foi kantor na saxônia. Haydn, Mozart e Beethoven consideravam-no como o maior de todos os compositores. Em sua música instrumental encontramos elementos franceses nas formas italianas. Embora fosse um cristão muito devotado, o barroco protestante inglês está presente na sua música litúrgica, especialmente na música coral. Ele foi muito superior em suas obras vocais, um dos principais compositores de ópera do período barroco, embora seja mais conhecido como compositor de oratórios ingleses. Nessas obras predominam os coros, tradução para a linguagem vocal da nova polifonia instrumental do Barroco.

O oratório Messias (1742), ao contrário dos outros oratórios, tem inspiração cristã e muito lirismo.