SÉCULO XIX­-O ROMANTISMO

 

Ao contrário do romantismo literário, que tem bem definidos seus limites cronológicos, o romantismo musical é impossível definí-lo cronologicamente.

Weber, Schubert, Mendelssohn, Schumann, Berlioz e Chopin são românticos. Mas também são românticos um Tchaikovsky e um Grieg, contemporâneos de Tolstoi e Ibsen, assim como Brahms (em seus começos) e Wagner.

O romantismo domina, portanto, toda a música do século XIX.

Os traços comuns de todos esses românticos tão diferentes são a maior liberdade de modulação e o cromatismo cada vez mais progressivo numa música subjetivista e individualista.

Elaboram esquemas programáticos, como Berlioz, subordinando as formas musicais a enredos literários. A música romântica vive de estímulos literários.

As grandes diferenças entre o romantismo literário alemão, inglês e francês, devidos ao diferente desenvolvimento social de seus países, por volta de 1800, também se fazem sentir na música.

Enquanto alguns artistas, os românticos fantásticos, hostilizam o novo público de "burgueses" e "filisteus", salientando os aspectos burlescos da realidade, outros, ao contrário, bajulam esses mesmo público, dando início ao grande virtuosismo.

Há, também, os que se reconciliam amistosamente com o ambiente burguês, fiéis ao classicismo vienense, como é o caso de Schubert e Mendelssohn. Era a época da bonhommie pequeno-burguesa, em que o idílio era garantido pela polícia e pela censura, o Biedermeier.

Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1776-1822), grande contista, o maior narrador do romantismo, notável músico e crítico de música, foi o mais típico representante do romantismo fantástico. Suas obras literárias inspiraram várias composições musicais, como Kreisleriana de Schumann, os Contes d’Hoffmann de Offenbach, e O Quebra-Nozes de Tchaickovisky.

Niccolo Paganini (1782-1840) foi o primeiro grande virtuose do romantismo, além de ter sido o maior violinista de todos os tempos. Escreveu muita música para ser interpretada por ele mesmo, um modo de exibição da sua técnica.

Franz Peter Schubert (1797-1828) viveu o ambiente agradável da burguesia vienense e sua boêmia, na época do Biedermeier. Compôs peças para piano, canções (lieder) e música de câmara para satisfazer a crescente demanda de amadores por música doméstica. A música folclórica, especificamente a vienense, está presente em quase todas as suas obras.

A poesia lírica alemã foi renovada na segunda metade do século XVIII, quando poetas do pré-romantismo como Goethe e Matthias Claudius adotaram as formas métricas e estróficas, e apenas isso, da poesia popular. Ou seja, chamar essa poesia lírica de "popular" seria um êrro.

Os músicos da Alemanha do Norte tentaram o mesmo caminho, mas sem grandes resultados. No fim do século XVIII, com a grande ascensão da literatura alemã e os primeiros românticos, surgem os primeiros lieder, embora secos e sem poesia.

A canção folclórica é a mais simples de todas as músicas vocais. Nos séculos XVII e XVIII a canção era tida como uma forma popular, raramente como música "artística", "séria".

Foi Schubert que tornou as canções novamente "respeitáveis" como nos séculos XV e XVI, quando os compositores baseavam as suas missas em melodias folclóricas. Com o declínio da popularidade da cantata, surge um tipo particularmente rico e elaborado de canção com acompanhamento de piano: o lied (canção, em alemão). Foi Schubert o principal criador de lieder (canções, em alemão).

O lied é o gênero de poesia lírica na música, não tem nada a ver com chanson, canção popular estilizada.

Schubert é o maior poeta lírico da música.

A fonte onde foi buscar energia musical para os lieder são os movimentos lentos, os adágios, andantes e largos de Beethoven, verdadeiros lieder sem palavras.

Schubert não ensinou e não deixou nenhuma escola de compositores, mas sente-se sua influência através do século. Seus trabalhos para coral e grande orquestra foram o ponto de partida para Bruckner. Sua música de câmara e composições para piano influenciaram não apenas Schumann mas também Brahms e Dvorak.

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) foi um dos maiores compositores românticos alemães. Representante do Biedermeier prussiano, rigorosamente apolítico, e de alto nível cultural e moral. Depois de ter sido o compositor mais festejado da época, sobretudo na Inglaterra, caiu em desprezo porque a crítica via nele um discípulo do classicismo com, apenas, feições externas de romantismo e devido, também, ao anti-semitismo dos wagnerianos. Foi o primeiro maestro a dispensar a antiga tradição de interromper uma sinfonia entre seus movimentos, para apresentar canções e solos instrumentais; ele fazia questão de que as obras fossem executadas completas. No fundo, Mendelssohn não foi romântico, teria sido parnasiano, muito antes de os literatos criarem esse termo.