Yara Bernette

Yara Bernette (1920-2002), nasceu em Boston, em março e Yara mudou-se com a família para o Brasil com apenas 6 meses, sendo logo foi naturalizada. Seis anos mais tarde começava a estudar piano com seu tio, José Kliass, uma das mais destacadas figuras da vida musical paulistana da época e aluno de Martin Krause, um dos últimos pupilos de Franz Liszt.
Sua estréia ocorreria cinco anos mais tarde, em um concerto infantil no Theatro Municipal de SP. Em 1938, com 18 anos, fazia sua estréia profissional em um concerto com a Orquestra Sinfônica Municipal, regida pelo maestro Souza Lima. Quatro anos depois tocou,
pela primeira vez, nos Estados Unidos, mais precisamente no Town Hall de Nova York, encorajada por ninguém menos que Arthur Rubinstein e Cláudio Arrau.

A esse concerto se seguiram, durante a década de 40, turnês pelo Estados Unidos e Canadá, e uma série de voltas ao Brasil e a outros países da América Latina para apresentações e cursos. A estréia européia só viria alguns anos mais tarde, em 1955, quando tocou, como solista da Orquestra do Conservatório de Paris, as Bachianas n.º 3 de Villa-Lobos, com o próprio compositor como regente.

Concertos e recitais em Viena, Amsterdã e Londres vieram em seguida, assim como a medalha Arnold Bax Memorial Award, recebida pela distinção de melhor intérprete de música contemporânea. Em 1958, Yara fez, em grande estilo, sua estréia em Berlim, durante o Festival Brahms, no qual se apresentou como solista da Filarmônica de Berlim, sob regência de Karl Böhm.
Elogiada pela crítica por onde passava - o New York Post, por exemplo, elogiou "seu virtuosismo espetacular" - Yara logo tornou-se concertista bastante requisitada em todo o mundo, mas também dedicou-se ao ensino. Durante mais de 20 anos foi chefe da cadeira de piano da Escola Superior de Música e Arte Dramática de Hamburgo, na Alemanha, tendo sido escolhida entre 130 candidatos de diversos países.

Seu trabalho foi documentado em grande número de gravações, em especial para rádios alemãs, que em sua maioria continuam inéditas. No ano passado, no entanto, dentro da série Grandes Pianistas Brasileiros, o selo Master Class lançou uma destas gravações, na qual ela interpreta duas complicadas peças do neo-romantismo: o Concerto n.º 2 para Piano e Orquestra Op. 50 de Nikolai Medtner, de 1926, e o Concerto n.º 2 para Piano e
Orquestra de Everet Helm, de 1956. Na primeira peça, toca ao lado da Filarmônica de Munique sob regência de Rudolf Kempe. Na segunda, a orquestra é a Sinfônica de Bamberg e a regência é de Ferdinand Leitner.
Com um pouco de paciência, você também encontra a sua gravação dos Prelúdios Op. 23 e Op. 32 de Rachmaninoff. Esta foi a primeira gravação mundial dessas peças, realizada pela Deutsche Grammophon na década de 70. Fora de catálogo, ela pode ser encontrada em sebos e lojas especializadas. Talvez leve tempo, mas no caso dela, vale a pena.
Texto de João Luiz Sampaio - O Estado de SP.