SÉCULO XX-A MÚSICA NOVA

 

A MÚSICA NOVA

Depois de Ravel as relações entre o público e os compositores mudaram.

Dos compositores modernos, só alguns poucos, Honegger e Britten sobretudo, venceram a resistência, mas não totalmente.

As casas de ópera e as salas de concerto ficaram limitadas a um repertório histórico, transformando-se em museus da música do passado. Não se conseguiu convencer o público que a "música nova" já não era nova e que o processo da música continuava.

Acusavam a "música nova" de ter rompido com toda a tradição de milênios...

Nossa música nasceu na Europa ocidental no século XIII. As primeiras obras que já podemos esteticamente apreciar, são do fim do século XV. Se excetuarmos a sobrevivência de Palestrina na música sacra católica e a recente renascença de Monteverdi, não consta do nosso repertório nenhuma obra anterior a 1700. A tradição musical, portanto, tem apenas 300 anos de idade, apenas três séculos. Nossa música é a mais nova das artes, a menos tradicional.

Os adversários da nova música diziam que a "catástrofe" teria sido obra de Stravinsky e Schoenberg. Na verdade, em certo sentido, os dois inovadores vieram "de fora". Menos imbuídos de preconceitos, perceberam as tendências que a rotina acadêmica não viu ou não quis ver.

As técnicas da "música nova" são, em parte, preestabelecidas na música do ocidentalíssimo Debussy; em outra parte, são consequências diretas do cromatismo de Tristão e Isolda, do germaníssimo Wagner.

Igor Stravinsky (1882-1971) viveu num ambiente saturado de Mussorgsky e Tchaikovsky. Suas primeiras obras foram inspiradas no folclore russo, e eram escritas em suntuoso estilo romântico. Música russa, mas sem exlusivismo nacionalista, bastante influenciada por Rimsky-Korsakov, além de Debussy e outros franceses. Sua música, nessa fase, é brilhante e bárbara. Excetuando Ravel, ninguém jamais criou sons instrumentais mais notáveis.

Carl Orff (1895-1982) desempenhou, em outro ambiente musical, as mesmas funções de Stravinsky. Inventou um sistema de educação musical baseado na prática do canto e da percussão. A voz humana serviu como ponto de apoio em todas as suas composições, que apresentam estilo musical marcante, associando melodias infantis e rica harmonização em ritmos vigorosos e pulsantes, orquestrados com a extravagância de uma partitura cinematográfica. Usou textos em latim, grego clássico e francês medieval, além do alemão.