Música concreta e eletrônica

Só poucas obras do "modernismo" de 1910 a 1930 entraram no repertório histórico: Le Sacre du Printemps, Wozzeck, Jeanne au bûcher, Carmina burana.

Os compositores contemporâneos, repudiados, constituem uma seita onde, o que se faz, parece, visto de fora, uma escolástica. Aí procuram-se recursos novos para a música.

A música concreta tem sua origem em 1913, quando o italiano Luigi Ruscolo propôs a substituição da música tradicional por "orgias de barulhos". Compôs obras que utilizavam guinchos, pancadas ou sons plangentes, entre outros, produzidos por objetos das mais diversas espécies, menos por instrumentos musicais. Stravinsky, na marcha final da Histoire du Soldat, utilizou um pouco dessa música.

O bruitisme (bruit = barulho) foi desenvolvido nos Estados Unidos pelo francês Edgard Varèse (1885-1965). Sua obra Arcana (1927) é a obra capital do bruitisme.

Os discípulos americanos de Varèse avançam mais. Henry Cowell (1897-1965) trabalha com ton-clusters (grupos de sons), tocando o piano com o braço e com os punhos. John Cage (1912-1992) cria o prepared piano ("piano preparado") colocando pedaços de madeira, metal ou borracha nas cordas do instrumento para produzir sons inéditos.

Na Europa, o bruitisme só foi levado a sério depois da Segunda Guerra Mundial. Pierre Schaeffer (1910-1995) fundou em 1949, em Paris, o Club d’Essai, onde, além da música dodecafônica, também se experimentava música concreta, conseguida através da emenda de gravações em fita magnética.

Em 1950, na Alemanha é criado um laboratório de Música Eletrônica, dirigido por Stockhausen, onde as obras musicais podem ser executadas sem intervenção de pessoas.