Coral Israelita Brasileiro

Em 1954, um grupo de ativistas pertencentes ao Instituto Israelita Brasileiro de Cultura e Educação, do Rio de Janeiro, - dentre eles o professor Pejsach Tabak, Tobias e Basie Kaczelnik, Abram e Aída Camenetzki, Pinchus Mitelman, Katia Schvartz e Lia Camenetzki Engelender - com a preocupação de preservar a cultura milenar do povo judeu através da música, funda e organiza o coro que hoje é o Coral Israelita Brasileiro.

No início, numa sala improvisada, dirigidos pelo maestro I. Fater - um sobrevivente da barbárie nazista - reuniam-se cerca de trinta pessoas, duas vezes por semana, para ensaiar músicas do folclore judaico trazidas da Europa.

O entusiasmo era contagiante! A idéia lançada pelos pioneiros, alguns até hoje sustentáculos do coro, frutificava e marcava o início de uma fase áurea na vida da coletividade judaica do Rio de Janeiro.
Com o passar dos anos as apresentações se sucederam e o Coral evoluiu, ampliando e variando seu repertório. A preservação do folclore judaico, meta inicial, se consolidou.

Com a mudança do maestro I. Fater para Israel, o Coral passou a ser regido pelo maestro Henrique Morelenbaum. Novas metas surgiram. O repertório foi enriquecido com músicas brasileiras, folclore internacional e obras clássicas. Haendel, Haydn, Bach, Mozart e Mendelsohn se misturam com Guebirtig, Lavry, Naomi Shemer, Villa-Lobos, Schoemberg, Padre José Maurício e muitos outros, totalizando nestes 45 anos um repertório de mais de 250 obras.

Além do maestro Morelenbaum, muitos colaboraram para o desenvolvimento do Coral e a realização de seus objetivos, como as atuações dos maestros Isaac Karabtchevsky e Henrique Nirenberg. Não podemos, no entanto, nos esquecer de tantos outros maestros e assistentes que nos fortaleceram nestes 45 anos: Eleazar de Carvalho, Heitor Argolo, Joaquim Assis, Carlos Acselrad, Eduardo Morelenbaum, Jaques Morelenbaum, Leon Halegua, Fernando Ariani, Roberto Duarte, Nelson Márcio Nirenberg.

Auxiliando os regentes destacamos o importante trabalho de nossos pianistas: Ieta Lipca Herszenhaut, Guita Rozen e Sergio de Freitas.

Ao longo de sua história, o coro, por diversas vezes se apresentou acompanhado das orquestras mais renomadas do país, tais como: Sinfônica Brasileira, Sinfônica Nacional, Sinfônica de Porto Alegre e Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Contou também com o concurso de vários solistas convidados,entre os quais destacamos: Aldo Baldin, Werner Griessman, Maria Lúcia Godoy, Paulo Fortes, Assis Pacheco, Aracy Bella Campos, bem como de seus próprios elementos, como: Esther Melli, Clarice Szajnbrum e Lia Camenetzki Engelender.

A participação do Coral na vida musical brasileira tem sido motivo de orgulho, merecendo destaque os seguintes eventos:
• - Centenário de Schoenberg em 1974, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro;
• - Ciclo "Schoenberg e o Século XX", na Sala Cecília Meireles, quando o Coral apresentou, em primeira audição no Brasil,a obra "Kol Nidrei", do famoso mestre contemporâneo;
• - Semana de Imigração Judaica no Rio Grande do Sul;
• - Concurso Internacional de Regentes, patrocinado pelo Museu Villa-Lobos;
• - "Les Noces" de Stravinsky, com solistas, pianistas, Orquestra e Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, coreografia de Skibine;
• - Festival Villa-Lobos;
• - 9ª Sinfonia de Beethoven, no Projeto Aquarius;
• - Única gravação brasileira do "Mandu-Çarará" de Villa-Lobos;
• - Encontros de Corais na Funarte, Senai, Sesc e Clube Hebraica.

Em 1991, Abrahão Rumchinsky, membro do Coral, com a colaboração do pianista Waldemar P. Gonçalves, assume sua regência, dando continuidade aos trabalhos do coro.
Em 1992, concretizando um antigo sonho, o Coral apresenta-se em Israel, participando da 16ª Zimriya - Festival Internacional de Corais - em Jerusalém. Com intensa programação de apresentações e estudos, o evento reuniu 40 corais dos 5 continentes, cabendo ao Coral Israelita Brasileiro representar o continente Latino-Americano na abertura solene do Festival, interpretando obra de Villa-Lobos.

A viagem a Israel marcou o início de uma nova fase. A amizade entre os coralistas se fortificou. Novas formas de trabalho foram sendo adotadas, visando o aperfeiçoamento artístico do Coral. Em Agosto de 1996, o coral foi novamente honrado com um convite para participar da Zimriya Especial, comemorativa dos 3000 anos de Jerusalém, reunindo corais judaicos do mundo todo. Após ensaios intensivos durante uma semana, os 40 corais participantes apresentaram-se no Concerto de Gala em homenagem a Jerusalém, na Piscina do Sultão. O Coral foi convidado a se apresentar também na Televisão, representando a América Latina no Festival.

A partir de Agosto de 1996, o Coral teve várias apresentações, tais como:
- Semana da Arte do Colégio Pedro II, nas filiais de
São Cristovão e Humaitá;
- Noite da Coletividade Judaica, no Centro Comercial
de Petrópolis;
- Encontro de Corais, no Clube Hebraica do Rio de
Janeiro;
- Concerto Anual do Coral na Sala Cecília Meireles, em 28.06.97, apresentando 18 canções em 8 linguas;
- Concerto Comemorativo dos 50 Anos do Estado de Israel,na Sala Cecília Meireles, organizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Esporte e pela FUNARJ.

Em 1997, o foi agraciado com a Medalha e Diploma "Pedro Ernesto", outorgados pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por serviços prestados à Música e à Cultura de nossa cidade.

Em 1998, participou do Festival de Coros de Juiz de Fora, bem como dos Concertos para a Juventude, no Teatro Carlos Gomes.