Conjunto de Câmara de Porto Alegre

O Conjunto de Câmara de Porto Alegre descende diretamente de um trabalho que surgiu de maneira espontânea em 1955 na Faculdade de Filosofia da URGS. A fim de ilustrar as aulas ministradas por René Ledoux a respeito da Idade Média francesa, foi contrada a regente Madeleine Ruffier, que trabalhou canções da época com os estudantes da disciplina.

Com o sucesso da experiência criou-se o Coral de Câmara da Faculdade de Filosofia da URGS, em cujo repertório destacava-se a música medieval, renascentista e contemporânea. Paralelamente ao coral, Madeleine formou, em 1965, o Madrigal da UFRGS, grupo composto por um sexteto vocal e por flautas doces, fagote, alaúde e violoncelo.

Em 1973, com o falecimento de Madeleine Ruffier, incorporou-se o Madrigal ao Conjunto de Câmara de Porto Alegre, grupo originado do Quarteto de Flautas Doces fundado em 1966 por Isolde Frank.

O nome Conjunto de Câmara de Porto Alegre surgiu em 1969, quando o antigo quarteto passou a executar música barroca com baixo contínuo (cravo e violoncelo).

A partir de 1978, passou o Conjunto de Câmara a ser coordenado por Marlene Hofmann Goidanich, componente do Coral de Câmara desde 1964 e membro fundadora dos demais grupos. Iniciou-se, então, a aquisição do atual acervo de instrumentos de reconstrução de época.

Grupo independente, o grupo especializou-se, a partir de 1986, na pesquisa da música ocidental dos séculos XII, XIII e XIV. Para recriar no século XX a música medieval, inicia um estudo de antologias, tratados e manuscritos de época. Todos os textos são traduzidos para o português, embora na execução das obras sejam mantidos os idiomas originais.

Passa-se então à instrumentação das músicas, mediante experimentação dos mais adequados timbres, utilizando-se o acervo de instrumentos do grupo. Os cantores e instrumentistas estudam o repertório escolhido dentro de técnicas específicas tanto na voz, que deve ser natural e flexível, como nos sopros e cordas, cujo som sem vibrato torna as sonoridades mais autênticas.
Pouco a pouco vão surgindo as recriações artesanais, em que cada músico colabora com suas improvisações e ornamentações.

O fascínio deste estilo musical está justamente nesta recriação, através da qual cada grupo de música antiga exprime sua personalidade, tornando a música viva. Foi com este espírito que, nos últimos anos, deu-se vida às músicas do minnesinger Oswald von Wolkenstein, às Cantigas de Amigo de Martim Codax, às Cantigas de Santa Maria do Rei Alfonso X, o Sábio, ao Trecento italiano, ao amor cortesão dos trouvères e troubadours, à música espiritual de Hildegard von Bingen, ao Bestiário Medieval e às músicas do manuscrito Carmina Burana.

Por seu programa Trovadores Medievais o grupo recebeu Menção Especial de "Melhor Trabalho em Música Erudita" no Prêmio Açorianos de Música, edição 1992.

Em 1995 o grupo gravou o CD Trovadores Medievais, com o financiamento da Lei FUMPROARTE da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e iniciou uma série de apresentações, representando o Brasil em países do Mercosul, a convite do Ministério da Cultura e do Ministério das Relações Exteriores.

Em 1998 o Conjunto de Câmara de Porto Alegre conquistou o Troféu Açorianos de Música de "Melhor Grupo Musical do Ano de 1997". Na mesma ocasião o espetáculo "Som das Ladainhas" recebeu a indicação de "Melhor Espetáculo"