Hespèrion XXI

Na Antigüidade, às duas penínsulas mais ao ocidente da Europa – as Penínsulas Itálica e Ibérica – dava-se o nome de "Hespéria" (em grego, Hespério designa um indivíduo originário de uma dessas duas penínsulas). Hespério era também o nome dado ao planeta Vênus, que ao anoitecer aparece no lado ocidental do céu.

Unidos por uma idéia comum, o estudo e a interpretação da chamada Música Antiga a partir de premissas novas e atuais, e fascinados pela riqueza do repertório musical hispânico e europeu anterior a 1800, Jordi Savall (instrumentos de arco), Montserrat Figueras (canto), Hopkinson Smith (instrumentos de cordas dedilhadas) e Lorenzo Alpert (instrumentos de sopro e percussões) fundaram, em 1974, o conjunto Hesperion XX, com o propósito de dedicar-se à revalorização desse repertório.

No decorrer de duas décadas de existência, Hesperion tem-se mantido fiel a esse ideal, por meio de diversos programas inéditos, que vem apresentando nas salas de concerto do mundo todo, no rádio, na televisão e nos estúdios de gravação – sua discografia supera a marca de trinta álbuns, registrados para os selos EMI, Astrée/Auvidis, Philips, DG-Archiv e Fontalis; dentre seus lançamentos recentes destacam-se os álbuns Batalles, Tientos & Passacalles, de Cabanilles, Elisabethan Consort Music y La Folia, e Diáspora Sefardi, todos para o selo Alia Vox, criado por Jordi Savall em 1998.

Quando da fundação do grupo, o nome Hesperion foi completado com o número romano XX, correspondente ao século XX, para sublinhar que sua abordagem da Música Antiga haveria de adotar sempre um olhar plantado na contemporaneidade; por essa razão, com o novo milênio o conjunto passou a se chamar Hesperion XXI.

Os trabalhos de pesquisa e interpretação do conjunto abrangem peças medievais espanholas, música antiga inglesa e obras renascentistas e barrocas de autoria de Dowland, Tye e Coprario, dentre outros compositores. O grupo ocupa-se ainda de repertórios europeus pouco conhecidos do público, popularizando desse modo obras de compositores como Jenkins, Rosenmmiller e Scheidt, além de interpretar a música de criadores consagrados, como Bach e Purcell.

Abordar repertório tão vasto requer formações variadas e exige dos intérpretes, além de um grande virtuosismo, profundo conhecimento dos diferente estilos e épocas. Hesperion XXI é integrado por musicistas de várias nacionalidades, diversos deles solistas em seus domínios, e sua formação varia de acordo com as obras escolhidas para cada programa. No atual panorama da interpretação da Música Antiga, a originalidade do grupo reside num duplo destemor: abrir espaço à criatividade individual, no âmbito de um trabalho de grupo em que também a improvisação encontra o seu lugar, e procurar uma síntese dinâmica da expressão musical, vocações a que se aliam o conhecimento estilístico e histórico e a imaginação criativa de músicos de um novo século.

Material adaptado de http://www.musica.gulbenkian.pt