Bamberger Symphoniker

A Orquestra Sinfônica de Bamberg foi fundada em 1946 por antigos membros da German Philharmonic Orchestra of Prague e músicos da Karlsbad e Schlesien, que, juntamente com seu Diretor Musical, Joseph Keilberth, vieram a Bamberg como refugiados da Segunda Guerra Mundial. Esta era uma orquestra com quase cem anos de história.

Era 1787, quando Mozart viajou para a "cidade de ouro" tinha uma grande expectativa de trabalhar com a renomada e respeitada orquestra de Praga, com quem estaria cumprindo sua missão de compor e estrear uma nova ópera no Prague Stände Theatre. A primeira apresentação de "Don Giovanni" se deu a 29 de outubro do mesmo ano. Carl Maria von Weber regeu a mesma Orquestra de Praga de 1813 a 1816 e Gustav Mahler foi diretor da nova Prague Opera House, que tinha o nome de "German Theatre in Prague". Em 1938, a Orquestra foi dispersada, mas após um ano, transferiu sua sede de volta para Praga para se estabelecer como a Orquestra Filarmônica Alemã em Praga.

Como uma orquestra da Bohemia, a orquestra projetou-se desde seu início diretamente ao coração da melhor tradição musical, pois a Bohemia era muito respeitada como fonte de excepcionais talentos musicais. Embora nenhum dos músicos da "velha guarda" tocasse mais na orquestra, o estilo dos primórdios da Bohemia foi preservado. Atualmente, como nos anos de sua fundação, a Orquestra Sinfônica de Bamberg é conhecida por um estilo e disciplina exuberantes, virtuosidade e sensibilidade, uma sonoridade cultivada e uma abertura para música desde a era do barroco até os dias de hoje.

A fundação da Orquestra logo após a guerra foi um empreendimento arriscado, tanto artística como economicamente, mas os músicos estavam certos. Desde muito a Orquestra era famosa como embaixatriz cultural além das fronteiras da Alemanha e Europa. Após o término da guerra, foi a primeira orquestra alemã a ser convidada para apresentar concertos na França em 1949 e, um ano mais tarde, na Espanha e em Portugal.

Além dos pioneiros dos primeiros anos, tais como Herbert Albert e Georg Ludwig Jochum, foram os regentes principais das décadas subseqüentes que deram à cultura musical do grupo sua distinta marca. Joseph Keilberth, que retornou à sua orquestra em 1949 após um desvio via Dresden e Berlim e se manteve como regente principal até sua morte em 1968, foi sucedido por James Loughran (1979-1983) e Horst Stein (1985-1996 e como regente Laureado desde Março de 1996). O jovem regente alemão Ingo Metzmacher atuou como principal regente convidado de 1995 – 1999.

A lista de regentes convidados também aparece como um compêndio da história musical. Entre os mais proeminentes, se destacaram Eugen Jochum, o mentor da orquestra e regente honorário, e o regente polonês e pupilo de Hindemith, Witold Rowicki, com ambos atuando como conselheiros musicais durante o período de intervalo. Depois vieram os compromissos com Rudolf Kempe, Hans Knappertsbusch, Clemens Krauss, Erich Leinsdorf, Klaus Tennstedt, Georg Solti e Vaclav Neumann, citando apenas alguns maestros dos primórdios da orquestra.

Personalidades como Gerd Albrecht, Christoph von Dohnanyi, Herbert Blomstedt e Semyon Bychkov foram intimamente associados a Orquestra Sinfônica de Bamberg assim como Charles Dutoit, Christoph Eschenbach, Rafael Frühbeck de Burgos, Mariss Jansons, Sir Roger Norrington, Georges Pretre, Jukka-Pekka Saraste, Kurt Sanderling, Guiseppe Sinopoli, Leonard Slatkin e Günter Wand

Entre os compositores que regeram a orquestra estão Aram Khachaturian, Krzysztof Penderecki, Witold Lutoslavski, Cristobal Halffter e Udo Zimmermann. Paul Hindemith brandiu freqüentemente sua batuta e, hoje em dia, seus trabalhos formam um pilar do repertório do grupo.

Entre os solistas também figuram grandes nomes: Martha Argerich, Arturo Benedetti-Michelangeli, Alfred Brendel, Radu Lupu, Murray Perahia, Gidon Kremer, Anne-Sophie Mutter, Frank Peter Zimmermann, Yo-Yo Ma, Mstislav Rostropowitsch, Agnes Baltsa, Marjana Lipovsek e Simon Estes, todos representantes de uma geração de artistas que freqüentemente realiza concertos com a Orquestra.

A Orquestra realiza até 120 concertos a cada ano: 40 deles são em Bamberg, outros 30 em cidades da região, e os outros 40 a 50 concertos são apresentados em outros países. Com esta agenda, é uma das orquestras mais ocupadas da Alemanha. Além destes concertos, a Orquestra passa de 35 a 40 dias produzindo gravações para Rádio, para a indústria fonográfica e fazendo filmes para emissoras de televisão, tanto para da Alemanha como para o exterior.

Agora, seguindo a abertura de fronteiras do leste Europeu, finalmente foi capaz de realizar concertos em cidades nas quais não era autorizada a se apresentar nem depois da guerra fria, com a participação de regentes e solistas que até agora tinham sido proibidos de trabalhar com a Orquestra. Além disso, todos estavam particularmente orgulhosos quando em maio de 1991 foi possível visitar Praga pela primeira vez desde a formação da Orquestra o que foi para todos uma estréia e a realização de um antigo desejo. Além de Praga, cidades como Bratislava, Varsóvia, Sofia e Dresden também se tornaram destinos regulares nas turnês.

Outro evento quase que tão importante foi realizado em 10 de setembro de 1993 quando a Orquestra Sinfônica de Bamberg se mudou para sua própria sala de concertos – A Sinfônica no Regnitz. Depois de 47 anos de paciente espera, a Orquestra finalmente deixou sua anterior e provisória sede – a antiga Igreja Dominicana – para tomar posse do novo teatro e de uma sala de concertos a altura de seu padrão e reputação.

O entusiasmo do público da Bamberg por seu novo teatro foi tão grande que rapidamente ajudou a estabelecer um "pequeno recorde mundial": o número de assinantes para os 34 concertos em cinco séries, totalizou mais de 6.300. Este número de freqüentadores regulares de concertos é único em relação a população de Bamberg que tem agora 70.000. Além disso, os Concertos de Verão de Bamberg oferecem ao público uma série de concertos – fora das assinaturas – que começaram em 1994 e recentemente foram aclamados pela mídia como "concertos de classe internacional".

A Bavarian Academy of Fine Arts descreveu os sons orquestrais individuais da Bamberg como "o ideal de naturalidade musical do executante", quando concedeu à Orquestra o prêmio Friedrich Baur de Música em 1995. Ainda afirmou que a orquestra "tem propagado o nome de Bamberg, não só na Alemanha e Europa, mas também através do mundo, ajudando a promover a boa reputação que ela tem". Em resumo, não há nenhuma admiração quando alguém cita Eugen Jochum para quem "a Bamberg sempre foi uma das melhores orquestras da Europa".

A formação artística da Orquestra Sinfônica de Bamberg nos dias atuais está nas mãos de Jonathan Nott, regente principal da Orquestra desde Janeiro de 2000.