I Musici

O I Musici surgiu com doze estudantes da Academia de Santa Cecília, em Roma, que resolveram juntar-se em pares para dar vida a um tipo único de orquestra de Câmara, composta por seis violinos, duas violas, dois violoncelos, um contrabaixo e um clavecin. A única proposta da recém-nascida orquestra era dar um novo impulso vital ao repertório para cordas, e, em particular, executar obras dos grandes compositores italianos do século XIX.

A orquestra, que escolheu o nome simples de I MUSICI (os músicos, em italiano), decidiu estabelecer entre os doze músicos responsabilidades e funções iguais e obter acordos unânimes para os problemas técnicos e interpretativos das partituras. A atitude, inédita na época, de criar uma orquestra de câmara sem a regência de um diretor, superou todas as expectativas de seus integrantes iniciais e arrancou elogios dos mais diferentes críticos europeus e americanos.

A primeira apresentação pública, considerada um grande êxito, aconteceu em 30 de março de 1952, na Academia de Santa Cecília. Conta a história que Arturo Toscanini foi o primeiro a escutar a nova orquestra, enquanto os músicos realizavam um ensaio na sede da Rádio Italiana, em Roma. Quando o ensaio acabou, comovido, Toscanini abraçou todos os músicos e exclamou: “bravos, bravíssimos – a música não morre”, chamando a atenção dos jornalistas e celebridades presentes no local.

Há meio século, I MUSICI encanta platéias do mundo todo, graças à sua precisão musical, alegria e talento. A orquestra gravou uma impressionante coleção de álbuns com a participação de famosos instrumentistas, entre eles: Severino Gazzelloni, Frans Bruggen, Aurèle Nicolet, Maxence Larrieux, Heinz Holliger, Maurice Bourgue, Klaus Thunemann, Marco Constantini, Maurice André, Häkan Hardenberger, Guy Touvron e Bernard Soustrot.

Suas magistrais interpretações da obra As Quatro Estações de Vivaldi, têm sido best sellers da música clássica. A orquestra gravou seis versões sucessivas com diferentes solistas: em 1955 e 1959 com Félix Ayo, em 1969 com Roberto Micchelucci, em 1982 com Pina Carmirelli, em 1990 com Federico Agostini, e em 1995 com Mariana Sirbu.

Desde sua origem, a orquestra possui uma característica pouco comum: ntre seus componentes estão todos os solistas necessários para combinar os arranjos perfeitamente entre si, cada um com sua especialidade, resultando em alternância de estilos e distintas colorações sonoras.

Os integrantes da orquestra são, até hoje, um modelo para todos as orquestras similares. Todas as suas interpretações são a expressão espontânea e ao mesmo tempo, meticulosamente afinada, do talento de doze músicos. Em cada estilo que interpretam, criam um impulso natural da música.

Graças a tamanha originalidade e competência, a orquestra conquistou importantes prêmios musicais, com destaque para Grand Prix de l"Academie Charles Cros, Grand Prix International du Disque, Edison Award, Deutsche Schallplattenpreis e Grand Prix des Discophiles.

Também conhecida como I Musici di Roma, devido a uma idéia de seu empresário em Munique, que acreditava que com o novo nome atrairia mais público de países como Alemanha e Áustria ao ressaltarem sua origem italiana, a orquestra completa este ano 50 anos de história e de grandes espetáculos.

Alguns dizem ser quase impossível expressar em poucas palavras o sucesso obtido pela orquestra nesses 50 anos. Só se pode descobrir todo o seu profissionalismo e amor à música através de seus concertos em grandes salas em Munique e Buenos Aires, onde se apresenta com freqüência.