Orquestra Filarmônica de Israel

A Orquestra Filarmônica de Israel – IPO foi fundada em 1936 pelo violinista judeu polonês Bronislaw Huberman, que passara quase três anos convencendo alguns dos melhores instrumentistas das orquestras alemãs e do leste europeu, que delas haviam sido expulsos em conseqüência da ascensão do nazismo, a emigrar para a Palestina.

A então chamada "Orquestra Palestina" deu seu concerto inaugural no dia 26 de dezembro de 1936, sob a direção do lendário Arturo Toscanini, e ficou conhecida como a "orquestra de solistas". Em janeiro de 1937, já empreendia sua primeira turnê ao exterior, apresentando-se no Cairo e em Alexandria. Com a independência de Israel em 1948, passou a se chamar Orquestra Filarmônica de Israel, e rapidamente conquistou seu lugar ao lado das melhores orquestras do mundo.

A orquestra tem desempenhado um papel ímpar na história de seu país. Quando da libertação de Beer-Sheva em 1947, ela se apresentou, com o então jovem Leonard Bernstein, no deserto de Neguev, frente de batalha. Ainda com Bernstein, interpretou a Sinfonia Ressurreição de Mahler, no Monte Scopus, comemorando a libertação de Jerusalém e na "Boa Cerca", na fronteira com o Líbano.

Em 1970, apresentou-se na Alemanha, marcando a abertura de uma nova era de relações diplomáticas e intercâmbio cultural entre os dois países. Na década seguinte, dirigida por Zubin Mehta, visitou Auschwitz, no âmbito da sua turnê pela Polônia, Rússia, Letônia e Hungria. Mais recentemente, em novembro de 1994, apresentou-se, também com Zubin Mehta, na China e na Índia, iniciando um novo diálogo entre Israel e o Extremo Oriente.

Inúmeros dos maiores musicistas do século XX já se apresentaram com a IPO. Assim, ela já foi regida por Arturo Toscanini, Dimitri Mitropoulus, Bernardino Molinari, Serge Koussevitzky, Eugène Ormandy, Paul Baray, Josef Krips, Istvan Kertesz, Charles Munch, Leonard Bernstein, Zubin Mehta, Sir Georg Solti, Lorin Maazel, Claudio Abbado, Klaus Tennstedt, Christoph von Dohnanyi... e Kurt Masur, que em 1992 foi agraciado com o título de Regente Convidado Honorário da Filarmônica de Israel.

Entre os solistas que já tocaram junto a ela seria preciso destacar Vladimir Ashkenazy, Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Rudolf Serkin, Jascha Heifetz, Pablo Casals, Jacqueline du Pré, Zino Francescatti, Bronislaw Huberman, Henryk Szering, Gregor Piatigorsky, Ida Haendel, Radu Lupu, Murray Perahia, Yehudi Menuhin, Isaac Stern, Mstislav Rostropovitch, Yo-Yo Ma, Jean-Pierre Rampal e Midori.

Merecem menção especial os artistas israelenses que, grandes personalidades do mundo musical internacional, sempre se apresentam com a orquestra, não tendo se esquecido de que foi junto a ela que suas respectivas carreiras ganharam impulso decisivo: Daniel Barenboim, Pinchas Zukerman, Yefim Bronfman, Shlomo Mintz e Itzhak Perlman.

Além do seu repertório sinfônico, a IPO também se dedica ao repertório operístico, em montagens cênicas ou em versão de concerto, com grandes nomes do canto lírico, como Leontyne Price, Beverly Sills, Richard Tucker, Montserrat Caballé, Sherril Milnes, Heather Harper, Roberta Peters, Leona Mitchell, Barbara Hendricks, Florence Quivar, Christa Ludwig, Dietrich Fischer-Dieskau, Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e Jessye Norman.

Dessa enorme e prestigiosa galeria de astros e estrelas da música que já estiveram ao lado da IPO destacam-se dois dos mais importantes maestros do século XX: Leonard Bernstein e Zubin Mehta.

Leonard Bernstein escreveu um capítulo especial da história da Filarmônica de Israel. Em 1963, ele a regeu na primeira apresentação mundial da sua Kaddish Symphony, em Tel Aviv, com Hanna Rovina e Jennie Tourel, gravando-a posteriormente para a Deutsche Grammophon, para a qual também gravou outras obras suas: os Chichester Psalms e a Jeremiah Symphony.

As visitas anuais do maestro a Israel, as freqüentes turnês mundiais e o grande número de gravações com a orquestra criaram entre ambos um forte vínculo: foram mais de quarenta anos fazendo música juntos. Nomeado Regente Honorário da orquestra em 1988, sua influência musical ainda se faz sentir.

Quanto a Zubin Mehta, sua relação com a Filarmônica de Israel completa, em 2001, quarenta anos. Seu primeiro encontro com o conjunto deu-se em 1961, quando então jovem maestro de 25 anos regeu-o pela primeira vez; em 1968, Mehta seria nomeado Conselheiro Musical da Orquestra; a partir de 1977 passaria a ocupar a posição de Diretor Musical; em 1981 foi nomeado Diretor Musical Vitalício.

Paralelamente às séries de 150 concertos anuais – que realiza em Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e outas cidades de seu país, para um total de 28.000 assinantes – e a suas diversas turnês internacionais, a IPO dedica-se também ao ensino e ao desenvolvimento de jovens talentos musicais, para os quais procura abrir novas perspectivavas profissionais. A Orquestra desempenha esse papel mediante seu programa de bolsas de estudo, seu apoio à Filarmônica Jovem de Israel, seus Concertos de Jovens Artistas e suas séries regulares de Concertos para Crianças e Jovens.

Ao longo de seus mais de sessenta anos de vida artística, a prquestra registrou extensa discografia, sobretudo para os selos Sony Classical, Teldec, EMI e Deustche Grammphon. Dentre os lançamentos recentes, todos sob a batuta de Zubin Mehta, destacam-se as Quatro Sinfonias de Brahms e os Concertos para Piano de Prokofiev, com o pianista Yefim Bronfman, todos para a Sony Classical, bem como, de Gustav Mahles, as Sinfonias no. 1 (EMI), no. 2 (TELDEC) e no. 3 (Sony).

Com 110 músicos, a IPO é hoje uma instituição israelense. Mais da metade dos seus membros são nascidos e formados em Israel. A maior parte dos outros são imigrantes vindos dos Estados Unidos e de países da ex-União Soviética.

Embora subsidiada pelo governo, boa parte de seu orçamento provém da venda de ingressos e assinatura e de doações. Duas fundações garantem a solidez financeira da orquestra: The American Friends of the Israel Philharmonic Orchestra e a Fundação Filarmônica de Israel, de Tel Aviv. Essas organizações são uma extensão da orquestra e os fundos que levantam servem para assegurar o seu futuro, apoiar projetos financeiros especiais e turnês e também adquirir melhores instrumentos musicais. A visão e a dedicação dos Amigos e Doadores em Israel e no mundo todo são vitais para a sobrevivência da Orquestra.

A IPO criou um novo programa educacional chamado Keynote (tônica), destinado a desempenhar um papel de primeiro plano na vida cultural do país. O Keynote oferece programas que visam à familiarização dos colegiais com a música orquestral, levando a orquestra às escolas, jardins-de-infância e centros comunitários, e por fim levando as crianças a participar de um concerto da orquestra no seu Auditório Principal.

Outro aspecto importante desse novo programa é que ele atinge várias comunidades do país: novos imigrantes, comunidades religiosas e seculares, bem como a comunidade árabe.

Como tantas outras grandes orquestras do mundo, a Filarmônica de Israel tem a ambição de contribuir para o enriquecimento da vida cultural de seu país e para o desenvolvimento de uma sociedade mais civilizada e tolerante.