Orquestra Filarmônica de São Petersburgo

A crítica é unânime ao apontar a Filarmônica de São Petersburgo como a melhor orquestra da Rússia. Mais antigo conjunto sinfônico daquele país, sua fundação data de 1882 e suas origens remontam ao tempo dos Tzares, quando era conhecida como Capela Real da Corte de São Petersburgo.

O conjunto viria a assumir um brilho maior às vésperas da Revolução de 1917. Em maio daquele ano assumia sua direção musical um maestro que viria a se transformar em um dos nomes mais importantes na formação de grandes regentes: Sergei Kussevitzky, que ficou à sua frente até 1921. Três anos mais tarde a Capela Real adotaria o nome de Orquestra Sinfônica da Filarmônica Estatal de Leningrado, nome com o qual a cidade havia sido rebatizada após a Revolução, em homenagem ao seu líder supremo Vladimir Ilyich Ulianov, Lenin.

A partir de então uma série de compositores célebres passou a trabalhar em estreito vínculo com a orquestra: Glazunov, Rachmaninov e Shostakovich, para citar apenas os mais conhecidos. Este último não cessava de afirmar a importância de seu trabalho junto à orquestra, considerada por ele como a “minha maior escola”. Maiakovski, Prokofiev e Khatchaturian foram alguns dos compositores a compor obras comissionadas e estreadas pelo conjunto russo, obras que hoje integram o repertório das principais sinfônicas do mundo.

O período pós 1917 foi extremamente fecundo para a Filarmônica. Passaram por seu pódio regentes do gabarito de Knappertsbusch, Bruno Walter, Weingartner, Erich Kleiber, Scherchen, Ansermet e Talich. A partir dos anos trinta, sucederam-se nomes como Busch, Monteux, Mitropoulos, Krauss e Rodzinski. E, mais tarde ainda, Pierre Monteux, Karajan, Masur, Mehta e tantos outros.

De 1938 a 1988, a São Petersburgo esteve sob a direção do lendário Mravinsky. É ponto pacífico que foi ele o grande responsável pela indiscutível notoriedade alcançada por esse conjunto, tanto dentro quanto fora da Rússia. Entre 1941 e 1960, a orquestra contou também com a colaboração de Kurt Sanderling, outro grande maestro, convidado de Mravinsly para atuar como segundo regente.

Em 1991, por ocasião da mudança de nome da cidade de Leningrado, que voltou a se chamar São Petersburgo, o mesmo aconteceu com a orquestra. Aliás, isso se deu exatamente enquanto o grupo estava em São Paulo durante suas apresentações pela Cultura Artística.

A lista de solistas que atuaram com a Filarmônica é, por assim dizer, um rol dos maiores dentre os grandes: David Oistrackh, Emil Gilels, Sviatoslav Richter, Mstislav Rostropovich e Lenid Koogan, são apenas alguns dentre eles.

Com a morte de Mravinsky em 1988, a direção artística da orquestra foi entregue a Yuri Temirkanov que, ao lado de Mariss Jansons, levou o conjunto a percorrer o mapa dos mais prestigiosos festivais de música do mundo, entre eles Munique, Estocolmo, Oslo, Zurique, Salzburgo, Viena, Edinburgo, Birmingham e Madri, além dos norte-americanos de Los Angeles, Cleveland, Filadélfia, Pittsburgh e Nova York.

Atualmente a Filarmônica conta com invejável discografia, boa parte dela gravada para o RCA Red Seal, com quem mantém contrato de exclusividade.

Agosto de 2005.