Orquestra Filarmônica do Teatro alla Scala de Milão

A Orquestra Filarmônica do Teatro alla Scala, de Milão, nasceu em 1982, com a finalidade de desenvolver as potencialidades sinfônicas da orquestra do melodrama por excelência, e sanar a tradicional separação entre duas culturas, aquela do teatro de ópera e aquela instrumental que se consideram apanágio exclusivo de ambições musicais diferentes.

O projeto previa uma orquestra nova, capaz de superar as históricas divisões e demonstrar, ao contrário, as profundas e inseparáveis correspondências. A finalidade era integrar a dutilidade e a elasticidade exigidas da orquestra pela música operística com a disciplina e o protagonismo de grupo exigidos pela música sinfônica. Parecia um desafio, dez anos atrás, confiar esta aposta à Orquestra Filarmônica do Teatro alla Scala, tornando crível e internacionalmente competitivo um todo sinfônico com raízes profundas, bem firmes, na ópera de Verdi e de Puccini.

O concerto inaugural da teve lugar no Teatro alla Scala em 25 de janeiro de 1982, com Claudio Abbado no pódio e a terceira sinfonia de Mahler no programa.

Os motivos pelos quais a orquestra foi criada eram completamente internos na própria orquestra. Numerosos grupos de músicos de câmara haviam espontaneamente surgido no interior da orquestra do teatro, formando o esqueleto da nova estrutura sinfônica. "Desde que entrei na Scala, em 1968 - explicava Claudio Abbado em 1982 - as coisas mudaram. Então existia um único conjunto, o Quarteto da Scala. Em seguida, em parte por iniciativa minha, em parte porque se falou disso, nasceram vários conjuntos de câmara".

A idéia sugerida por Claudio Abbado, de desenvolver as potencialidades sinfônicas da Orquestra do Teatro alla Scala, através da formação da Filarmônica, foi recebida imediatamente por todos os componentes do conjunto. E, é significativo procurar redescobrir as origens da Filamônica de Milão, a célula vital da música de câmara que nunca foi abandonada nestes anos pelos componentes da Filarmônica, ao contrário, foi-se desenvolvendo cada vez mais.

Desde o incício, a orquestra apresentou-se inspirada no modelo da Filarmônica de Viena, pois a orquestra apresentava duas frentes: a da ópera e a sinfônica. Sobre a pauta da experiência organizativa amadurecida pelos músicos vienenses, a Filarmônica adotou um estatuto semelhante àquele que regulamenta a Filarmônica de Viena, adaptando-o segundo as próprias exigências.

Os anais da Filarmônica podem hoje, justamente, contar com um repertório que inclui as Sinfonias de Beethoven, Brahms, Mahler, Schumann, interpretadas sob a direção dos regentes de maior prestígio de nosso tempo.

No elenco sucedem-se Claudio Abbado, Leonard Bernstein, Gary Bertini, Semyon Bychkov, Rafael Frühbeck de Burgos, Riccardo Chailly, Gianandrea Gavazzeni, Valery Gergiev, Carlo Maria Giulini, Gustav Kuhn, Lorin Maazel, Zubin Mehta, Riccardo Muti, Seijii Ozawa, Georges Prêtre, Guennadi Rozhdestwenski, Wolfgang Sawallisch, Giuseppe Sinopoli, Yuri Temirkanov, Walter Weller, Myung-Whun Chung.

Em vias de chegar a duzentas apresentações, o grupo vai-se afirmando com características e qualidades bem precisas no panorama mais qualificado das estruturas sinfônicas internacionais. Para confirmar a adquirida personalidade musical, os pedidos de turnês ao exterior tornam-se cada vez mais numerosos: "Tantas, que a orquestra vê-se obrigada hoje a responder mais não que sim", fez notar Riccardo Muti, Diretor Chefe desde 1987, ao apresentar a estação inaugural do segundo decênio de atividade da Filarmônica.

Começou dizendo que a aposta, lançada há dez anos, foi ganha. E lembrou ainda a surpresa, repetida várias vezes tanto pela crítica como pelos próprios diretores da orquestra, que este crescimento de uma determinada identidade musical e profissional trouxeram também benefícios às execuções operísticas.

Embora presa por uma relação privilegiada com o teatro que a viu nascer (na falta de alternativas, os concertos da Filarmônica realizam-se na sala de Piermarini), a orquestra, nos últimos anos, criou condições para uma progressiva autonomia em relação ao Teatro alla Scala.

A Orquestra tem uma sede administrativa própria, na Via Foscolo 5, que dá para a Galeria e uma bilheteria autônoma. Recentes acordos ratificaram também uma nova identidade administrativa para a Filarmônica, regida por dez conselheiros que representam a orquestra e cinco expoentes do mundo econômico e cultural de Milão.
O Superintendente do Teatro alla Scala, Carlo Fontana, é presidente honorário da Filarmônica que tem em Fedele Confalonieri o atual Presidente: "É o cargo que me dá mais prazer", admitiu durante a primeira conferência à imprensa à qual foi apresentado pela primeira vez nesse papel.

Decisivas para o crescimento da Filarmônica foram também as turnês no exterior. Das tímidas saídas dos primeiros anos, nas quais eram apresentados programas já testados ou para testar para a Scala, a Filarmônica está agora abrindo espaços internacionais próprios. Uma constante presença nas principais cidades da Espanha, quatro concertos em Buenos Aires, com Gary Bertini e Gianandrea Gavazzeni, a prestigiosa maratona no Japão, no verão de 1990, com Riccardo Muti: cinco concertos, com dois programas propostos alternativamente, em seis noites.