Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRJ

A Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRJ (ORSEM) tem sua origem nos tempos da Primeira República, quando o Instituto Nacional de Música, herdeiro do antigo Conservatório fundado por Francisco Manuel da Silva (1805-1865) em 13 de agosto de 1848, era a única instituição federal de ensino musical do país.

A Orquestra do Instituto Nacional de Música foi organizada durante a gestão do Professor Alfredo Fertin de Vasconcelos com um total de 33 alunos, apresentando-se pela primeira vez no dia 25 de setembro de 1924, tendo como regente o Professor Ernesto Ronchini (1863-1931).

O programa foi composto por obras para orquestra de cordas como Tetéia (valsa) e Polônia (mazurca), duas peças dos Esboços - Cenas Pitorescas op. 38 de Leopoldo Miguez (1850-1902) e por Berceuse e Gavotte de Ernesto Ronchini.

Entre os alunos alguns nomes que se tornariam grandes instrumentistas de sua geração como o violoncelista Iberê Gomes Grosso (1905-1983) e os violinista Oscar Borgerth (1906-1992) e Mariucia Iacovino. Os dois primeiros tornariam-se, mais tarde, professores da Escola de Música em seus respectivos instrumentos.

Em seu quarto concerto, realizado em 17 de novembro de 1925 e regido por Humberto Milano (1878-1933), foram incorporados os instrumentos de sopro, em um programa onde constava a Sinfonia no. 41 - Júpiter de Mozart, o Concerto para piano em ré menor de J. S. Bach, tendo como solista a aluna Ilara Gomes Grosso, o Tango Caprichoso para violino e orquestra de Francisco Braga, tendo como solista a aluna Yolanda Peixoto, e a primeira audição da Suíte Sinfônica op. 33 do então jovem compositor Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), ex-aluno de composição e recém-nomeado professor do INM.

Estas se tornariam, a partir de então, duas das mais importantes funções da Orquestra: a apresentação de alunos solistas e estréia de obras de compositores brasileiros jovens ou já consagrados.

Nos primeiros anos de existência, seu principal regente foi o Maestro Francisco Braga (1868-1945), passando a orquestra a contar com a participação de alguns professores e ex-alunos.

Em 1937 o INM foi incorporado à Universidade do Brasil e a orquestra passou a chamar-se Orquestra da Escola Nacional de Música. Diversos regentes com ela atuaram, entre os quais podemos destacar os compositores Francisco Mignone (1897-1986), Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948) e José Siqueira (1907-1985) e os Maestros Souza Lima (1898-1982) Armando Belardi (1900-1989), Eleazar de Carvalho (1912-1996), Mário Tavares e Henrique Morelenbaun.

As óperas passaram a fazer parte da temporada anual de concertos a partir de 1958, quando foi apresentada L Enfant Prodigue de Claude Debussy, regida pelo Maestro Santiago Guerra (1902-1998).

Outros espetáculos líricos importantes apresentados pela orquestra foram as óperas Xerxes de Haendel, Le Nozze di Fígaro e Die Zauberflote de Mozart, O Barbeiro de Sevilha de Rossini, Le Villie Madama Butterfly de Puccini, La Traviata de Verdi, The Thelefone de Giancarlo Menotti e Der Freischütz de Weber, assim como óperas de compositores brasileiros como Uma Noite no Castelo de Henrique Alves de Mesquita, Abul de Alberto Nepomuceno, Moema de Delgado de Carvalho, Jupira de Francisco Braga, Fosca e Lo Schiavo de Carlos Gomes, O Chalaça de Francisco Mignone e Maroquinhas Fru-Fru de Ernst Mahle.

As funções acadêmicas da ORSEM visam principalmente à formação de novos profissionais de orquestra, solistas e regentes, além de ser importante veículo para divulgação de obras dos compositores brasileiros jovens e já consagrados, sendo uma de suas principais características, desde sua fundação, a valorização da produção musical brasileira de todos os tempos, já tendo executado mais de uma centena de obras em estréia mundial.

Alguns dos mais importantes músicos brasileiros já atuaram como solistas com a ORSEM dentre os quais destacamos os violinistas Oscar Borgerth, Anselmo Zlatopolski e Santino Parpineli, o violoncelista Iberê Gomes Grosso, o harpista Gianni Fumagali, o fagotista Noel Devos e os pianistas Radamés Gnattali, Arnaldo Rebello, Laís de Souza Brasil, Arnaldo Cohen, Edson Elias e José Feghali.

Em 1969 a orquestra foi reformulada e passou a ter ensaios semanais e uma temporada mais regular de concertos, sendo o Maestro Raphael Baptista (1909-1984) nomeado seu regente titular, e da Profª Else Baptista como spalla. Por sua indicação, foi sucedido em 1979 pelo Maestro Roberto Duarte, que esteve à frente da ORSEM durante mais de quinze anos. Atualmente a ORSEM está sob a direção dos Maestros Ernani Aguiar e André Cardoso.

Com o Maestro Roberto Duarte a ORSEM iniciou sua produção fonográfica gravando em LP obras do Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830). Seu primeiro CD saiu em 1991, com o Poema Sinfônico Prometeus op. 21 de Leopoldo Miguez (1850-1902), a Elegia de Henrique Oswald (1852-1931) e a Sinfonia em Sol menor de Alberto Nepomuceno (1864-1920).

O segundo, ainda sob direção de Roberto Duarte, foi dedicado à Suíte Brasileira de Francisco Mignone, ao poema coral-sinfônico A Conquista do Sertão de Raphael Baptista e a duas obras de Carlos Gomes, a Abertura da Fosca e a Alvorada, Interlúdio do 4o Ato de Lo Schiavo.

O último CD gravado pela ORSEM traz a integral do Colombo de Carlos Gomes (1836-1896), que vem a ser a primeira gravação integral de uma ópera desse compositor realizada no Brasil nos último 35 anos. Sob a direção de Ernani Aguiar e o barítono Inácio de Nonno no papel título, essa gravação mereceu o prêmio de "Melhor CD de 1998" conferido pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).