Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi

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O Projeto Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes, iniciou-se em Março de 2003, através da Secretaria de Cidadania e Ação Social, juntamente com a AMOA – Associação Mogiana Oficina de Aprendizes, a Secretaria de Cultura como parceira e tendo como principais patrocinadores a própria Prefeitura Municipal e as empresas INAL, VALTRA e PETRON.

O Projeto foi estruturado, tendo como base de iniciação musical o projeto “Canarinhos do Itapety”, utilizando o canto coral como base de educação musical. São atendidas hoje 250 crianças e jovens no projetos “Canarinhos do Itapety”, 100 crianças e jovens no Projeto “Boigy”, tendo sido selecionadas inicialmente 130 crianças e jovens para o projeto “Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi”.

Com o início do projeto de formação da orquestra, o projeto canarinhos começou um processo interno de reestruturação para melhor adequar todas as atividades, objetivando um aproveitamento integral do tempo das crianças e jovens envolvidos. Com a formação da primeira turma de violino e violoncelo, e logo em seguida as turmas de instrumentos de sopros, o ano de 2003 foi inteiramente dedicado a iniciação aos instrumentos e a informação da comunidade, mostrando todo o trabalho de base como a pedra fundamental para a formação da futura orquestra.

As aulas ministradas na Casa dos Meninos, passaram a se estender também aos dias da semana, continuando o atendimento direto do projeto Canarinhos. Desta forma os alunos contam com uma sólida base de formação musical e cultural, com aulas de teatro, dança, artes, coro e sendo orientados nos instrumentos musicais de cordas segundo as diretrizes do método Suzuki, conhecido mundialmente como “Método da Educação do Talento”, idealizado pelo violinista e pedagogo japonês Shinichi Suzuki, e através das aulas de instrumentos de sopros, visando a formação da orquestra infantil de sopros.

Desta forma, cada aluno é atendido de segunda a sexta, no período complementar ao período escolar. O objetivo do projeto é oportunizar a estas crianças e jovens uma nova perspectiva de vida, focando no resgate da cidadania, utilizando a música e as atividades culturais como principais ferramentas de transformação social. Muitas são as espectativas para este ano de 2004, tendo em vista a agenda de apresentações que estes jovenzinhos passam a ter. Este é o terceiro concerto da segunda temporada do projeto.

"A ORQUESTRA SINFÔNICA E A INCLUSÃO SOCIAL"

“Oportunizar o acesso a cultura a toda a população pode até parecer utopia nos dias de hoje, mas de certa forma, para a realização desta grande empreitada basta cooperação, interesse e bom senso. Longe também está nosso objetivo desta meta tão ousada, mas o caminho é seguro e correto, pois cultura é tudo o que somos, fazemos, comemos, vestimos, falamos, etc.

Valorizar o conhecimento e compartilhá-lo é obrigação, nossa obrigação. O investimento nas atividades culturais com vínculo direto com a inclusão social mostra a comunidade o tanto de artista que todas essas crianças têm, esperando somente uma pequena chance de se mostrar, e muitas vezes, uma chance de se tornar uma pessoa transformadora. Transformadora de si mesma.

Viabilizar a cultura é compartilhar o conhecimento, abrir um novo horizonte na mente destes jovens, muitas vezes limitada ao cotidiano áspero. Cada som que se escuta de um coro ou orquestra de um projeto social, traz consigo uma enorme gama de freqüências de esperança, obstinação e desejo de vencer. Cada aplauso emitido retorna como um sinal que se pode fazer mais, que se pode mudar... mudar o mundo. Resta sabermos que este mundo pode significar o mundo de cada um, a diferença entre resignação e determinação. Por isso posso dizer que não é utopia querermos mudar o mundo, pois se isto ocorrer com uma única criança, de fato conseguimos nosso intento.

Compartilhar a cultura é possibilitar esta mudança, dar o conhecimento para a escolha que todos terão que fazer na jornada da vida. A orquestra sinfônica por natureza é caracterizada pelo trabalho coletivo, a compreensão das diferenças, a valorização dos detalhes, a construção de um todo com partes inteiramente comprometidas. Cada som é parte de outros sons, cada instrumento tem o seu papel, e somados cumprem o destino que se espera de uma execução musical: A Música.

Tenho certeza que devemos cada vez mais olhar para a orquestra e perguntar: como podemos aceitar as diferenças, mudar o som e harmonizar os acordes de forma a nos mantermos ligados no objetivo maior, sabendo onde deva ser valorizado cada elemento musical? Assim poderemos fazer também a seguinte pergunta: Como poderemos aceitar a situação em que estas crianças vivem, mudar em suas vidas o que for necessário, compartilhar o conhecimento necessário para nos mantermos ligados ao objetivo maior de inclusão social, e sabermos valorizar cada ser humano que está a nossa frente como se fosse único? A orquestra pode ser trabalhada a cada momento, seja com instrumentos musicais, seja somente com corações e mentes ávidas pelo novo. Cada sorriso estampado no rosto destas crianças já é música da mais alta qualidade e cada som emitido por seus instrumentos uma prece de esperança.

A Orquestra se renova pelos séculos e hoje se mostra como uma das grandes ferramentas de inclusão social em países que ainda tem uma longa jornada na busca pela igualdade. Vamos mudar o mundo, mas para começar, que tal começarmos pelo de uma só criança..."