Roussel - (1869-1937)

Albert Roussel nasceu em Tourcoing, Norte (França), em 5 de abril de 1869. Embora tenha manifestado uma evidente predisposição para a música e tenha aprendido bem o piano, sonhara com a carreira de marinheiro. Admitido, em 1887, na Escola Naval, embarcou no Borda, em Brest, em seguida na fragata-escola Iphigénie (Dacar, Alexandria, etc.) e, quando aspirante de 1.º classe, no couraçado Désvastation e na bela fragata à vela Melpomene; finalmente, como oficial, tomou parte numa expedição ao Extremo Oriente na canhoneira, Le styx.

Após algumas tentativas tímidas de composição, iniciou os estudos musicais sérios, instigados por J.Koszul, diretor do conservatório de Roubaix, e demitiu-se de oficial da marinha (1894). Fixou-se em Paris, onde estudou órgão, harmonia, contraponto e fuga com Gigout e depois, composição com Indy na Schola (1898-1905). Ele próprio viria a ser professor de contraponto neste estabelecimento de ensino, onde, durante 12 anos de magistério (1902-1914), teria alunos como Satie, Varese, Le Flem, Roland-Manuel, Martinu, entre outros.

As suas primeiras obras importantes, um trio para piano e Réssurrection para orquestra, datam respectivamente de 1902 e 1903. Em 1908, fez uma viagem ao Camboja e às Índias, de que colheu fecundas impressões musicais e a certeza de que existem riquezas inesgotáveis que convidam à evasão do maior e do menor. Depois, a sua vida foi ritmada pela atividade criadora, interrompida apenas pela guerra (embora reformado, alistou-se como condutor de automóveis) e por uma viagem à América, em 1930. Roussel morreu em Royan (França), em 23 de agosto de 1937.

Era um homem de qualidade excepcionais: equidade, sentido de medida, respeito pela personalidade, culto dos valores espirituais. Tudo isso se percebia em sua música. O seu estilo aliava às qualidades de medida e de gosto o sentido da verdade e da grandeza.

A primeira parte de sua obra (onde sobressaem Le festin de l'Aragainée e Évocations) a influência de Franck (através de Indy) e de Debussy combinam-se com um gosto muito pessoal pela forma clássica; harmonizam-se nela a sensualidade e o rigor formal. Roussel, que deste modo, se mantivera alheado ao do Impressionismo, revelou toda a originalidade do seu gênio a partir da guerra. As Sinfonias n.ºs 2, 3, 4, a Suíte em fá maior e Bacchus et Ariane (a sua obra-prima) são caracerísticas de uma arte mais severa, mais concisa, com ampla musculatura rítmica e grandes frases melódicas (marcadas pela ambiguidade modal), onde a atividade constrapontística se afirma plenamente. Nelas, uma imaginação muito fantasista submete-se para sempre ao molde rígido da forma clássica.

Teatro: Le festin de l'Aragainée, Bacchus et Ariane, Aeneas, bailados; Padmâvati, ópera bailado; La naissance de la lyre, ópera; Le testament de Tante Caroline, ópera bufa; música de cena; música vocal: Évocations para solistas, coros e orquestras, Salmo LXXX para tenor, coros e orquestra, coros à capela, 40 melodias; orquestra: 4 sinfonias, Suíte em fá maior, Sinfoneta para cordas, concerto para piano, concertino para violoncelo; música de câmara: trio para piano, trio para cordas, quarteto para cordas, 2 sonatas para piano e violino, peças para flauta, peças para piano (entre elas a Suíte Op. 14 e a Sonatina).